domingo, 27 de março de 2011

Moedas do Brasil - do Cruzeiro ao Real

 Sem festas, o Plano Real completou 17 anos de vida. Em 1º de março de 1994 iniciou-se a implantação do Plano Real, então vestido de Unidade Real de Valor (URV).

Com correção diária durante quatro meses, cada URV passou a valer um dólar, que, no dia 1º de julho, foi convertido em real. Um por um.

O plano real conseguiu transformar uma inflação de 3% ao dia em inflação de 3% ao ano!

Mesmo com choques internos e externos, em todo o período, o real cumpriu sua missão e tornou possível o crescimento da economia com distribuição da renda. Até porque, os grandes ganhadores do Plano Real foram os maiores perdedores de antes dele: os 60% dos brasileiros sem banco, sem caderneta, sem salário em carteira, sem patrimônio imobiliário, até mesmo sem carro usado. 60% da população sem correção!

Sobrevivendo na corrosão de uma inflação indexada que acumulou, ponta a ponta, de 1964 a 1994, um IGP-DI de 1,1 quatrilhão por cento! Isto é, inflação de 16 dígitos em 30 anos.

Vejamos, então, um pouco das notas que circularam antes do Plano Real



1942 - Cruzeiro - Na primeira troca de moeda do Brasil, os réis são substituídos pelo cruzeiro durante o governo de Getúlio Vargas. Mil réis passam a valer 1 cruzeiro; é o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.


1967 - Cruzeiro novo - O cruzeiro novo é criado para substituir o cruzeiro, que levou outro corte de três zeros. Mais uma vez, isso ocorre por causa da desvalorização da moeda. Para adaptar as antigas cédulas que estavam em circulação, o governo manda carimbá-las.

1970 - Cruzeiro - A moeda troca de nome e volta a se chamar cruzeiro. Dessa vez, porém, só muda o nome, mas não o valor. Ou seja, 1 cruzeiro novo vale 1 cruzeiro.


1986 - Cruzado - Por causa da inflação, que alcança 200% ao ano, o governo de José Sarney lança o cruzado. Mil cruzeiros passam a valer 1 cruzado em fevereiro deste ano. No fim do ano, os preços seriam congelados, assim como os salários dos brasileiros.

1989 - Cruzado novo - Por causa de inflação de 1000% ao ano, ocorre uma nova troca de moeda. O cruzado perde três zeros e vira cruzado novo. A mudança é decorrência de um plano econômico chamado Plano Verão, elaborado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.

1990 - Cruzeiro - O cruzado novo volta a se chamar cruzeiro, durante o governo de Fernando Collor de Mello. O mesmo plano econômico decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses.

1993 - Cruzeiro real - No governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, o cruzeiro sofre outro corte de três zeros e vira cruzeiro real. No fim do ano, o ministro cria um indexador único, a unidade real de valor (URV).

1994 - Real - Após uma inflação de 3700% em 11 meses de existência do cruzeiro real, entra em vigor a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, a URV, equivalendo a 2750 cruzeiros reais, passa a valer 1 real.

sábado, 26 de março de 2011

Economia Brasileira - Tarefa 1 - Parte 2

4. Porque o período do "milagre" também é marcado por inflação crescente e aumento da desigualdade social? Como o índice de Gini se comporta nesse período? Analise essas implicações para o contexto da gestão e das políticas públicas.


Solução:

O coeficiente ou índice de Gini foi desenvolvido pelo matemático italiano Conrado Gini para comparar a desigualdade de distribuição de renda entre países. Ele é um parâmetro que varia entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo do zero menor é a desigualdade de renda num país, ou seja, melhor a distribuição de renda. Quanto mais próximo do um, maior a concentração de renda num país. O índice Gini é muitas vezes apresentado em pontos percentuais, isto é, coeficiente x 100. O Índice de Gini do Brasil relativo ao ano de 2008, divulgado em 2009 foi de 0,544. O que demonstra que nosso país tem uma alta concentração de renda. Para termos condição de realizar uma comparação, o Índice de Gini da Argentina em 2007 era 0,49; do México era 0,48 e da Alemanha, 0,27. No período de 1968 a 1973, os indicadores de qualidade de vida da população despencam. A mortalidade infantil no Estado de São Paulo, o mais rico do país, salta de 70 por mil nascidos vivos em 1964 para 91,7 por mil em 1971. No mesmo ano, registra-se a existência de 600 mil menores abandonados na Grande São Paulo. Em 1972, de 3.950 municípios do país, apenas 2.638 têm abastecimento de água. Três anos depois um relatório do Banco Mundial mostra que 70 milhões de brasileiros são desnutridos, o equivalente a 65,4% da população, na época de 107 milhões de pessoas. O Brasil tem o 9º PNB do mundo, mas em desnutrição perde apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas. Fica claro, então, que o acúmulo de renda nas camadas mais favorecidas da sociedade durante o milagre brasileiro fez com que o índice de Gini crescesse no período.

Segundo os dados que pude levantar no sítio: http://www.ipeadata.gov.br/Default.aspx
(visitado em 25 de março de 2011), a inflação medida pelo índice geral de preços (IGP) durante o “milagre brasileiro” fica aproximadamente estável. Os valores do IGP e os anos são apresentados na figura abaixo. O rápido crescimento da inflação só acontece a partir de 1974 com a chegada da “crise do petróleo”.



5. Responda às questões 3, 4 e 5 da unidade 3, atividades de aprendizagem, página 108 do fascículo.

http://www.guiadacarreira.com.br/wp-content/uploads/simulado-enem-2009//q9g2_mat_enem2009.png

a) Com relação ao que foi estudado, procure listar os fatores principais que fazem com que o Brasil continue classificado entre os países com os piores níveis de distribuição de renda do mundo.

b) Que fatores levaram ao descontrole inflacionário no final de 1980, início dos 1990?

c) Liste as políticas que os governos têm disponíveis para reduzir a desigualdade.

Solução:

a) Segundo a ONU, conforme divulgado pela repórter Carolina Brígido, O Globo de 23 de julho de 2010, ocupamos a terceira pior posição mundial na distribuição de renda, ao lado do Equador e abaixo até de Uganda. Na América do Sul, perdemos para a Argentina, e também para o Chile e o Uruguai. A desigualdade social é muito maior no Brasil. Basta dizer que 50% dos quase 59 milhões de domicílios que possuímos não são atendidos por rede tratada de esgotos. O déficit habitacional está em torno de 12 milhões de moradias, equivalendo a praticamente 50 milhões de pessoas. O salário mínimo é baixíssimo em comparação com aqueles de países desenvolvidos. Por outro lado, o Brasil está entre as dez maiores economias do mundo com um Produto Interno Bruto anual de 2 trilhões de dólares! Assim como disse antes, o bolo cresceu e nunca foi dividido!

b) A década de 80 foi perdida no que se refere à evolução da renda. Dois fatores se combinaram para produzir este efeito. Por um lado, houve uma brutal redução do ritmo do crescimento da renda, devido ao endividamento criado durante a crise do petróleo. Por outro lado, a inflação alta atingiu ferozmente os mais pobres. A combinação desses dois efeitos perversos sobre a renda foi a ausência de melhorias significativas na redução da pobreza.

c) A forma mais usual de corrigir desequilíbrios na estrutura de riqueza e rendimentos é por meio dos impostos. Em nosso país, tem sido utilizada outra estratégia: as políticas sociais. Assim, os diferentes governos têm lançado, regularmente, programas sociais como a distribuição de alimentos, remédios ou a atribuição de uma renda mínima para as famílias mais pobres. Há fortes indícios que, apesar da multiplicação dos programas específicos de ajuda aos mais pobres, a desigualdade tem se mantido praticamente inalterada desde os anos 1980. O sucesso do plano real e a queda da inflação removeram u elementos que cristalizavam a péssima distribuição de rendas. O governo FHC introduziu uma política de bolsas. No governo Lula, as desigualdades continuaram a serem tratadas com práticas de políticas sociais que aumentaram em abrangência e complexidade. O “bolsa-família”, por exemplo, estendeu-se a mais de 10 milhões de domicílios; o Prouni atende a cerca de 200 mil estudantes em nível superior por ano. Embora o impacto desses programas não seja desprezível, a desigualdade se mantém em níveis elevados. Creio que o impacto destas políticas sociais é menor do que se espera por estes programas sociais preferirem dar o peixe ao invés de ensinar a pescar, serem objeto de forte uso eleitoreiro e estimularem um dos principais males do país, a corrupção.

Economia Brasileira - Tarefa 1 - Parte 1

Questões


1. Analise as principais características do PAEG para o processo de fortalecimento da economia brasileira no período militar.

Solução:

O PAEG (PROGRAMA DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO) foi instituído pelo governo Castelo Branco e vigorou no período de 1964 a 1966. Durante seu período de implementação, foi reativado o órgão do poder executivo encarregado do planejamento, sob o nome de Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica.

Seus objetivos primordiais eram:

 Acelerar o ritmo do desenvolvimento econômico,

 Conter progressivamente o processo inflacionário,

 Atenuar os desníveis econômicos setoriais e regionais

 Assegurar oportunidades de emprego,

 Corrigir a tendência a déficits descontrolados do balanço de pagamentos.

Castelo Branco e seus ministros Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões consideraram que a inflação se originava no excesso de demanda. Consideraram ainda que o controle inflacionário e as formas de conviver com a inflação seriam pré-condições para a retomada do desenvolvimento. Para tanto, o regime militar implantou uma forma de lidar com a inflação que ficou conhecida como correção monetária ou indexação. Assumiu um combate gradual à inflação pondo de lado os tratamentos de choque. Como resultado da retração nas taxas de crescimento econômico, a inflação realmente declinou.




As principais medidas estabilizadoras do PAEG:

• Redução do déficit público: O PAEG introduziu novas formas de financiamento do estado e aumentou as tarifas públicas.




• Restrição do crédito e aperto monetário - O PAEG aumentou as taxas de juros e melhorou os mecanismos de controle.



• Política salarial – Incentivou um severo arrocho salarial.



O PAEG obteve relativo sucesso, muito embora não tenha atingido todos os objetivos inicialmente previstos, houve uma sensível melhora na situação econômica do país.



2. Descreva as principais características da economia brasileira durante o chamado "milagre" brasileiro.

Solução:

Durante o período pós-guerra e a década de 1950, o Brasil cresceu a taxas bem altas. Posteriormente, este quadro se reverteu e durante vários anos, o Brasil não recebeu investimentos estrangeiros por causa da instabilidade econômica (inflação) e da instabilidade política (governos interrompidos de Jânio Quadros e de João Goulart). A revolução impôs uma estabilidade política, e conseguiu voltar a atrair recursos oriundos do exterior. Esses recursos passaram a chegar ao Brasil em volume muito grande. Com isso, empresas privadas, estatais e multinacionais foram beneficiadas.

No governo do presidente Médici foi implantada no Brasil uma política de crescimento econômico cujo principal idealizador foi o ministro da fazenda (que já atuava desde o governo Costa e Silva) Antonio Delfim Netto. Essa política, que visava o crescimento rápido, dependia do financiamento externo. O estouro de crescimento econômico, ocorrido entre 1968 e 1973, ficou conhecido como "Milagre Econômico". Mas, ao lado da euforia das classes privilegiadas que tiveram seu poder aquisitivo ampliado, existia um outro Brasil, que não era beneficiado por esse milagre.

Desenvolveram-se nesse período, empresas privadas brasileiras cuja característica era a pequena demanda de capital acompanhada de grande demanda por mão-de-obra. Por outro lado, as empresas multinacionais tinham suas atividades focadas no setor de capital, isto é, forte demanda de capital e pouca demanda de mão-de-obra. As empresas estatais investiram seus recursos em armas, energia e telecomunicação.

Para consolidar o crescimento rápido buscava-se expansão de mercado interno e externo. A produção não deveria ser absorvida apenas pelos brasileiros, mas também pelos EUA e países da Europa.

Com abundância de matéria prima e baixo custo da mão de obra, as empresas multinacionais que aqui se instalaram foram bastante beneficiadas. O governo mantinha os salários sempre baixos e quaisquer manifestações em busca de melhoria salarial eram freadas de forma violenta.

O “milagre” continuou até a chegada da crise mundial do petróleo, em 1973. Segundo o próprio Delfin Netto, o presidente Ernesto Geisel (1974 a 1979) insistiu em continuar com seus projetos de desenvolvimento. Assim, ele permitiu que a dívida externa atingisse patamares altíssimos. Seu legado econômico, levou o país a um processo de recessão econômica e inflação que atingiu duramente o país. O governo de João Figueiredo, último presidente militar, incapaz de cumprir os objetivos da revolução 1964 e de re-equilibrar a economia, encerrou o período de governo militar e restituiu o governo (e a crise econômica) à classe política brasileira.

3. Pesquise sobre os seguintes termos: crescimento econômico e desenvolvimento econômico. Analise cada um desses termos e explique suas diferenças centrais, relacionando-os com a famosa frase de Delfin Netto "(...) é preciso fazer o bolo crescer para depois parti-lo".



Solução:

O Brasil, em sua estratégia histórica de desenvolvimento, privilegiou o crescimento. Enquanto relegou a redistribuição de rendas, a segurança, a liberdade, a justiça social e a proteção do ambiente a um distante segundo plano.

Em outras palavras, tradicionalmente, o Brasil focou seus esforços em obter crescimento econômico. Este tipo de direcionamento político/econômico pode permitir que o país enriqueça sem que seu povo desfrute dos benefícios deste crescimento. Assim, é possível termos um país rico, isto é, que alcançou crescimento econômico, mas que possui uma população pobre, isto é, que não recebeu sua parcela de benefícios correspondente ao desenvolvimento econômico.

O desenvolvimento econômico visa atender diretamente o bem estar de toda a sociedade, isto é, além do crescimento deve também garantir a segurança, a liberdade, a justiça social e proteção do ambiente, etc. Durante os governos militares de Costa e Silva, Medici e Figueiredo, o mentor da política econômica brasileira foi Delfim Netto. Ele foi o principal artífice do chamado "milagre brasileiro" (1968-1973), quando o Produto Nacional Bruto (PNB) crescia, em média, 10% ao ano. Além de conceder incentivos às exportações e ao investimento estrangeiro no país, a política de Delfim era caracterizada pelo congelamento dos salários e a elevação das tarifas públicas. Ele justificou que o milagre brasileiro não estivesse acompanhado de uma eficiente distribuição de rendas através da frase: "(...) é preciso fazer o bolo crescer para depois parti-lo". Infelizmente, o bolo cresceu e nunca foi dividido!

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Estilo Dilma Rousseff ou Por que pagamos tantos impostos?

NÃO SAIBA A TUA MÃO ESQUERDA O QUE FAZ A DIREITA.



Já faz algum tempo que o deputado e ex-ministro Roberto Cardoso Alves denegriu as palavras de São Francisco 

--"É dando que se recebe"--

ao usá-las para descrever a sua forma de praticar política.




Parece que agora o Estilo Dilma Rousseff de governar aproveita-se de uma outra frase bíblica para inspirar seu governo.



   
" quando derdes esmolas, que não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita. Para que a esmola fique escondida, e vosso Pai que vê o que vós fazei em secreto, vos pagará"  Mateus.



Enquanto a mão direita do governo dá esmolas aos seus mais diretos parceiros; a esquerda, ignorando o fato, é levada a fazer cortes no orçamento. 




Vejamos algumas dessas "esmolas" (gentilmente oferecidas com nossos impostos pela mão direita do governo):


Fim de semana passado, a presidente Dilma Rousseff anunciou a criação da Secretaria Especial de Aviação Civi, com status de ministério. O comandante da inutilidade burocrática, ainda não escolhido oficialmente, será nosso 38° ministro.
http://3.bp.blogspot.com/_O6qM4ekEjlQ/SR2xQwvoTsI/AAAAAAAAAGA/UQxkEBzzhBE/s400/charge+dilma+obama.gif
 
Note que o governo americano, por exemplo, funciona muito bem com 15 secretarias de Estado. Já a China, não democrática e com uma população imensa, os ministérios são 27!

O primeiro escalão do governo brasileiro sofre de obesidade mórbida, mas Dilma acha que é pouco. Além do administrador do tráfego aéreo, ela quer pelo menos um ministro das Pequenas e Médias Empresas e um  ministro para a futura Secretaria Especial de Irrigação.

Como entender uma presidente que, enquanto promete cortar R$ 50 bilhões do Orçamento (mão esquerda), aumenta a gastança com invencionices perdulárias (mão direita)? 

Por que não encarrega o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio de cuidar das pequenas e médias empresas? 
Por que não deixa a Aviação Civil por conta de um Ministério dos Transportes que funcione? 
Por que não inclui a irrigação entre as atribuições do Ministério da Agricultura?

Enquanto isso, a mão esquerda do governo  decidiu reter cerca de R$ 30 bilhões do Orçamento aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro!

Por exemplo, os benefícios previdenciários foram reduzidos em R$ 2 bilhões. Os fundos do Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Desenvolvimento do Nordeste (FNDE) tiveram corte de R$ 1,5 bilhão. Curiosamente, regiões que votaram maciçamente na, então, candidata Dilma. 

Em junho deste ano, o maior dos ministérios da história republicana chegará a 40 integrantes. No Brasil que Lula inventou e Dilma preside:

NÃO SAIBA A TUA MÃO ESQUERDA O QUE FAZ A DIREITA. 

http://www.casadebbby.blogger.com.br/maos_maos.jpg

Introdução à Estatística para Administradores - Tarefa 2

Olá Pessoal,


Posto na seqüência a minha solução da segunda tarefa de Estatística. Ressalto que esta é apenas a minha solução e não tenho a pretensão que seja um gabarito. Assim, o material que disponibilizo a seguir é sujeito a apresentar erros. Agradeço a todos que possam fazer uma leitura crítica do material e possam indicar quaisquer incorreções para que eu possa melhorar o material.


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Errata: 
Como foi  notado por nosso colega Leandro UAB Itapevi/SP, eu esqueci de incluir o item d da última questão desta tarefa. 

Ele foi muito gentil e, além de apontar meu descuido, enviou o gráfico que faltava. Assim, estou incluindo hoje (28 de março de 2011) a contribuição dele para a solução da referida questão.

Obrigado e um grande abraço ao Leandro.

Olá Pessoal,
Outro leitor também me escreveu e enviou sua contribuição para o histograma da questão 6. Estou incluindo este outro gráfico para a apreciação dos colegas.  Ele argumenta que o histograma deve ser feito em termos dos grupos discutidos no item c da mesma questão. Compare os dois gráficos e tire suas próprias conclusões no final deste post.

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Tarefa 2



1) Complete as frases abaixo e depois assinale a letra que corresponde à resposta correta: (0,1)
Série ___________é também chamada de ____________________ e é identificada pela
variável cronológica.
Série _____________ é também chamada de ______________ ou de localização, apresenta como elemento variável o espaço.

a) Temporal, histórica, geográfica, categórica.
b) Temporal, evolutiva, geográfica, espacial.
c) Geográfica, histórica, temporal, categórica.
d) Geográfica, evolutiva, temporal, espacial.


Solução: Alternativa B.
A série temporal também é chamada de cronológica, histórica ou evolutiva. A série geográfica também é chamada de territorial, espacial ou de localização.

Assim sendo,

Série temporal é também chamada de série evolutiva e é identificada pela variável cronológica. Série geográfica é também chamada de espacial ou de localização, apresenta como elemento variável o espaço.

2) Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando-as. Depois, marque a letra correspondente a resposta (sequência) correta: (0,1)

(1) Série Temporal                    (   ) Permanece fixos os fatores temporal e geográfico.
.
(2) Série Geográfica                  (   ) É identificada pelos fatores fixos geográficos e 
                                                          específicos.
.
(3) Série Específica                  (   ) É identificada pelos fatores fixos tempo e a espécie.
(4) Série Composta                   (   ) É usada quando o fenômeno apresenta mais de uma
                                                         variável.

a) 3-1-2-4
b) 3-1-4-2
c) 1-3-4-2
d) 1-3-2-4

Solução: 3-1-2-4 Alternativa A.

Em uma série específica, permanecem fixos os fatores temporais e geográficos.
Em uma série temporal, permanecem fixos os fatores geográficos e específicos.
Uma série geográfica é identificada pelos fatores fixos tempo e a espécie. 
Chama-se composta a série que é usada quando o fenômeno apresenta mais de uma variável.

3) Identifique o tipo de série apresentada na tabela abaixo: (0,1)


Cidade
Tipo de Imposto
Ano da Arrecadação
Valor
Ouro Preto
IPTU
2011
2.800,00
Mariana
IPTU
2011
3.500,00
Belo Horizonte
IPTU
2011
24.600,00

Solução: A série apresentada acima é uma série geográfica.

Justificativa: Os valores mostrados na tabela estão associados a diferentes cidades, a espécie (IPTU) está fixa e o tempo (ano da arrecadação) também. Assim, temos uma série geográfica.

4) Associe o tipo de gráfico à figura correspondente, (observe que nem todos os tipos estão associados a uma figura), marcando a alternativa correta: (0,1)

Gráfico de Linha
Gráfico de Colunas
Gráfico de Barras
Estereograma
Gráfico de Setores

1-




 
a) Gráfico de Linha -3, Gráfico de Barras - 1, Gráfico de Setores - 2   
b) Gráfico de Linha -1, Gráfico de Setores - 2, Gráfico de Barras -3
c) Gráfico de Linha -1, Gráfico de Colunas - 2, Gráfico de Barras -3
d) Gráfico de Linha - 3, Gráfico de Colunas - 1, Gráfico de Setores - 2

Solução: Alternativa D.

 
5) Construa um gráfico de linhas para os dados da inflação brasileira anual medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentados na tabela abaixo: (0,2)

Solução:

 Solução:
 
O eixo das abcissas (eixo x) representa os anos, enquanto o eixo das ordenadas (eixo y) representa o valor do INPC em percentagem.


6) Considere que os dados a seguir representam as notas de 10 alunos do curso de Estatística:

8,5   6,0   7,5   8,0   7,0   9,0   10,0   5,0   8,0   7,0

a)      Organize as notas em ordem crescente: (0,1)
Solução:
5,0 ; 6,0 ; 7,0 ; 7,0; 7,5; 8,0; 8,0; 8,5; 9,0; 10,0

b)     Classifique as notas em três grupos: (0,1)
grupo 1: notas de 5,0 a 6,9
grupo 2: notas de 7,0 a 8,9
grupo 3: notas de 9,0 a 11

Solução:
grupo 1: 5,0 ; 6,0
grupo 2: 7,0 ; 7,0; 7,5; 8,0; 8,0; 8,5
grupo 3: 9,0; 10,0

c)      Verifique quantas notas pertence a cada intervalo, ou seja, o número de elementos de cada grupo: (0,1)

Solução:
O número de elementos do grupo 1 é igual a dois. {5,0 ; 6,0}
O número de elementos do grupo 2 é seis. { 7,0 ; 7,0; 7,5; 8,0; 8,0; 8,5}
O número de elementos do grupo 3 é dois. { 9,0; 10,0}

sexta-feira, 18 de março de 2011

PAEG - Plano de Ação Economica do Governo Castelo Branco


PAEG - Plano de Ação Econômica do Governo Castelo Branco 

O diagnóstico sobre a inflação centrava-se no excesso de demanda.

Problemas gerados pelo processo inflacionário:
i. a inflação desestimulava a canalização de poupança para o sistema financeiro;
ii. a Lei do Inquilinato - desestimulava a aquisição de imóveis e da construção civil;
iii. desordem tributária;


As principais medidas instituídas pelo PAEG foram: 
  • a reforma tributária, 
  • a reforma monetária e financeira e 
  • a reforma do setor externo;
 


PAEG apresentava duas linhas de ação: 
  • Políticas conjunturais de combate à inflação.
  • Reformas estruturais que permitiram o equacionamento dos problemas inflacionários e das dificuldades que se colocavam ao crescimento econômico.
  
Objetivos
  • Acelerar o ritmo de desenvolvimento econômico, 
  • Conter o processo inflacionário, 
  • Atenuar os desequilíbrios setoriais e regionais, 
  • Aumentar o investimento, o nível de emprego e 
  • Corrigir a tendência ao desequilíbrio externo;

1. MEDIDAS DE COMBATE À INFLAÇÃO DO PAEG

Três estratégias do PAEG:

i. redução do déficit público através da reforma tributária e aumento das tarifas públicas;
ii. restrição ao crédito através do aumento das taxas de juros reais;
iii. política salarial: reajustes salariais objetivando romper as expectativas e conter reivindicações;
 
Como  lidar com a inflação?
- Aprender a viver com a inflação -  correção monetária ou indexação;
- Controlar a aceleração inflacionária ;  baixar pouco a pouco o patamar inflacionário;

2. REFORMAS INSTITUCIONAIS DO PAEG

A. A Reforma Tributária

i. introdução da correção monetária no sistema tributário;
ii. alteração do formato do sistema tributário - transformação dos impostos tipo cascata em impostos tipo valor adicionado - romper o estímulo até então existente à integração vertical da produção e utilizar os impostos como política de desenvolvimento e de redução de distorções;
iii. redefinição do espaço tributário entre as diversas esferas do governo (distribuição dos ipostos na esfera federal, estadual e municipal); além disso foram criados fundos de tranferência intergovernamentais - centralização das decisões sobre legislação tributária à eliminação da guerra fiscal;
à quanto à arrecadação:
- surgimento de vários fundos parafiscais - importantes fontes de poupança compulsória direcionada ao setor público;
- inflação corretiva - torna empresas estatais em geradoras de excedentes líquidos de recursos;

B. A Reforma Monetária-Financeira no PAEG 


- criar condições de condução independente da política monetária e direcionar os recursos nos montantes e condições adequados às atividades econômicas;
- divide-se em quatro medidas:
i. instituição da correção monetária e criação da ORTN - elimina série de inficiências do sistema financeiro à estimulava poupança e ampliava capacidade de financiamento da economia; a criação das ORTNs visava dar credibilidade e viabilizar e desenvolvimento de um mercado de títulos públicos que fornecesse instrumentos de financiamento não inflacionários do déficit público, bem como possibilitasse as operações de mercado aberto, visando ao controle monetário;
ii. Lei no. 4.595 criação do CMN (Conselho Monetário Nacional) e do BACEN - procurava criar condições para que a política monetária fosse conduzida de forma independente;
iii. Lei no. 4.320 criação do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) - eliminar o déficit habitacional existente, que era atribuído à dalta de financiamento para o setor; criação do BNH: banco dos bancos do sistema habitacional;
iv. Lei no. 4.728 reforma do mercado de capitais - Lei do Mercado de Capitais definia as regras de atuação dos demais agentes financeiros. O quadro institucional que se formou baseava-se no modelo financeiro norte-americano (em oposição ao modelo europeu), caracterizado pela especialização/segmentação do mercado, existindo instituições especializadas que atenderiam a segmentos específicos do mercado de crédito, com base em instrumentos de captação determinados; bancos comerciais deveriam operar no crédito de curto-prazo, com base na captação de depósitos à vista; financeiras eram os agentes de crédito ao consumidor, através da venda de letras de câmbio; os bancos de investimento deveriam atender ao crédito de médio e longo prazos, através da captação de depósitos a prazo e do repasse de recursos externos; além disso, deveriam incentivar as operações do mercador de capitais; os bancos de desenvolvimento estatais deveriam financiar operações especiais de fomento através do repasse de fundos fiscais e recursos externos; demais instituições do mercado de capitais também foram regulamentadas e subordinadas ao Bacen;

C. A Reforma do Setor Externo
A reforma do setor externo tinha pôr objetivo estimular o desenvolvimento econômico, evitando as pressões sobre o Balanço de Pagamentos, eliminando assim uma das principais distorções do PSI. Destacam-se duas linhas de atuação neste sentido: melhorar o comércio externo brasileiro e atrair o capital estrangeiro;
- com relação ao comércio externo, buscou-se estimular e diversificar as exportações através de uma série de incentivos fiscais e da modernização e dinamização dos órgãos públicos ligados ao comércio internacional. Quanto às importações, a idéia era eliminar os quantitativos e utilizar apenas a política tarifária como forma de controle. - a principal medida adotada foi a simplificação e unificação do sistema cambial - adotou-se o sistema de minidesvalorizações, pelo qual a variação deveria refletir o diferencial entre a inflação doméstica e a internacional;
- quanto à atração do capital estrangeiro, buscou-se uma reaproximação com a política externa norte-americana, a chamada Aliança para o Progresso. Em seguida efetuou-se a renegociação da dívida externa e firmou-se um Acordo de Garantias para o capital estrangeiro. As ligações com o sistema internacional foram feitas através de dois mecanismos: a Lei no. 4.131, que dava acesso direto das empresas ao sistema financeiro internacional, e a Resolução no. 63, que possibilitava a captação de recursos externos pelos bancos comerciais e de investimento para repasse interno;
- as reformas do PAEG alteraram praticamente todo o quadro instictucional vigente na economia brasileira, adaptando-se às necessidades de uma economia industrial. Montou-se um esquema de financiamento que viabilizaria a retomada de crescimento, e dotou-se o Estado de maior capacidade de intervenção na economia;
- a política adotada no PAEG obteve grande êxito na redução das taxas inflacionárias e em preparar o terreno para a retomada do crescimento.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Introdução à Estatística para Administradores - Tarefa 1

Olá Pessoal,

Posto na seqüência a minha solução da primeira tarefa de Estatística. Ressalto que esta é apenas a minha solução e não tenho a pretensão que seja um gabarito. Assim, o material que disponibilizo a seguir é sujeito a apresentar erros. Agradeço a todos que possam fazer uma leitura crítica do material e possam indicar quaisquer incorreções para que eu possa melhorar o material.

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Variáveis Aleatórias

1) Classifique cada uma das variáveis abaixo em qualitativa (nominal ou ordinal) ou quantitativa (discreta ou contínua). Marque a letra correspondente a resposta certa: (0,2)

Perda de peso de maratonistas da Corrida de São Silvestre (em quilos).
Intenção de voto para presidente de um clube (possíveis respostas são os nomes dos candidatos).
Número de peças produzidas por uma máquina em um dia de trabalho.
Classe social da população em uma pesquisa feita pelo Governo.

a) Quantitativa contínua, qualitativa nominal, quantitativa discreta, qualitativa ordinal.
b) Quantitativa discreta, qualitativa nominal, quantitativa contínua, qualitativa nominal.
c) Quantitativa discreta, qualitativa nominal, quantitativa contínua, qualitativa ordinal.
d) Quantitativa contínua, qualitativa nominal, quantitativa discreta, qualitativa nominal.

Solução: A

A perda de peso de maratonistas durante a Corrida de São Silvestre (em quilos) tem um valor numérico bem definido, sendo uma variável quantitativa. A escala em que se mede a perda de peso (quilogramas) é contínua. Assim, esta variável deve ser considerada quantitativa contínua.

A intenção de voto para presidente de um clube cujas respostas possíveis são os nomes dos candidatos é qualitativa e nominal.

O número de peças produzidas por uma máquina em um dia de trabalho é uma quantidade enumerável discreta, isto é, não podem ser produzidas meias ou um terço de peça. Assim, quantitativa discreta.

A classe social da população em uma pesquisa feita pelo Governo, segundo o sítio http://www.hostpobre.com/como-descobrir-sua-classe-social.html , pode ser determinada através da tabela:





Logo, existe uma hierarquia entre as classes e conseqüentemente uma ordem. Concluo que esta variável é qualitativa ordinal


2) Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando-as. Depois, marque a letra correspondente a resposta (sequência) correta: (0,2)

(1) População                             ( 5 ) Observação Estatística de um fenômeno qualquer.
(2) Estatística                             ( 6 ) É o subconjunto de um universo.
(3) Variável                                ( 2 ) Estudo da coleta e processamento de dados .
(4) Amostragem                         ( 3 ) Característica associada a uma população.
(5) Experimento Aleatório         ( 4 ) Processo de seleção de uma amostra.
(6) Amostra                                ( 1 ) É um conjunto fundamental de todos os elementos                   
                                                           com pelo menos uma característica comum.

a) 6-5-2-3-4-1
b) 5-6-3-2-4-1
c) 5-6-2-3-4-1
d) 5-6-2-3-1-4

Solução: c

As definições que se seguem foram obtidas e copiadas da apostila “Estatística para Administradores” que foi disponibilizada na plataforma da disciplina como material didático.

População é o conjunto universo dos dados sobre os quais se deseja tirar conclusões.

Amostra é um subconjunto da população.

Amostragem é uma ferramenta que permite analisar um subconjunto da população e dar informações sobre os fatos relativos a ele, com a intenção de inferir o comportamento da população.

Estatística é o estudo da coleta e do processamento de dados para facilitar a tomada de decisões.

Variável é o conjunto de todos os resultados possíveis de um atributo/fenômeno. A variável pode ser qualitativa ou quantitativa.

Coleta de dados ou amostragem: É obtida com a elaboração de uma pesquisa.

Experimento Aleatório é aquele cujos resultados não são sempre os mesmos, apesar de se repetirem, várias vezes, em condições semelhantes. É aquele que apresenta resultados imprevisíveis. O experimento apresenta vários resultados não sendo possível afirmar qual a determinação antes que ele tenha sido realizado. Antes do lançamento de um dado, por exemplo, não se pode dizer o resultado, mas se podem enumerar os resultados possíveis. A possibilidade de repetição contínua, mantidas as condições iniciais, é uma característica importante de experimentos aleatórios.

3) Indique V (verdadeiro) ou F (Falso) e justifique a resposta: (0,2)

F  ) “Uma variável é qualitativa ordinal se não existe nenhuma ordenação nos possíveis resultados. Exemplos são seção a que o funcionário pertence, sexo, raça, etc”.

Uma variável qualitativa para a qual não exista ordenação nos possíveis resultados é chamada nominal.

( V ) “As variáveis nota em redação e número de filhos apresentam como possíveis resultados números resultantes de uma contagem ou mensuração. Essas variáveis são denominadas de variáveis quantitativas”.


Toda variável cujos resultados possam ser representados por valores numéricos resultantes de contagem ou mensuração é chamada quantitativa.

4) Para as situações a seguir, identifique a população e a amostra correspondente e marque a letra correspondente: (0,2)

1- Para verificar a audiência de um programa de TV, 1000 indivíduos foram entrevistados por telefone em relação ao canal.
2- A fim de avaliar a intenção de voto para presidente dos brasileiros, 500 pessoas foram entrevistadas no país.

a) 1 - População: Telespectadores
         Amostra: 1000 indivíduos
    2- População: População do Brasil
         Amostra: 500 pessoas
b) 1 - População: Telespectadores entrevistados por telefone
         Amostra: 1000 indivíduos
    2- População: População do Brasil
         Amostra: 500 pessoas
c) 1 - População: Telespectadores
         Amostra: 1000 indivíduos
    2- População: Pessoas entrevistadas no país
         Amostra: 500 pessoas

Solução: A

Questão 4 foi ANULADA.

Na questão 4, faltou especificar para a segunda situação:

2- A fim de avaliar a intenção de voto para presidente dos brasileiros, 500 pessoas foram entrevistadas no país.

a)     2- População: População do Brasil (eleitores)
            Amostra: 500 pessoas (eleitores)

A resposta correta para a questão 4 seria a letra a (com a alteração feita acima).

5) No lançamento de duas moedas, a probabilidade de se obter uma cara e uma coroa é de: (0,2)
a) 25%
b) 30%
c) 40%
d) 50%

Solução: D

As possibilidades de resultado para o lançamento de duas moedas são:

{cara, cara},{cara, coroa},{coroa, cara}e {coroa,coroa}

Assim, temos quatro possibilidades das quais duas atendem o objetivo, isto é, obter uma cara e uma coroa.

A probabilidade, neste caso, é p= 2/4 = 50%

O Golpe Militar de 1964


Ditadura Militar no Brasil   

A Ditadura Militar é o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. 

Politicamente, caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.  Economicamente, caracterizou-se inicialmente  pelo chamado "milagre economico brasileiro" e posteriormente pela inflação e descontrole da economia.
      
    O Golpe Militar de 1964

    Na madrugada do dia 31 de março de 1964, um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído de João Goulart (Jango).

    Praticamente não houve reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio. Fracassou uma greve geral proposta pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em apoio ao governo. 



    João Goulart, em busca de segurança, viajou no dia 1o de abril do Rio, para Brasília, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência.
    Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai, de onde só retornaria ao Brasil para ser sepultado, em 1976.

    Antes mesmo de Jango deixar o país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, já havia declarado vaga a presidência da República. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu interinamente a presidência, conforme previsto na Constituição de 1946, e como já ocorrera em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros.

    O poder real, no entanto, encontrava-se em mãos militares. No dia 2 de abril, foi organizado o auto-denominado "Comando Supremo da Revolução", composto por três membros: o Brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o Vice-Almirante Augusto Rademaker (Marinha) e o general Artur da Costa e Silva, representante do Exército. Essa junta permaneceria no poder por duas semanas.

    Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas.
    A junta baixou um "Ato Institucional" – uma invenção do governo militar que não estava prevista na Constituição de 1946 nem possuía fundamentação jurídica. Seu objetivo era justificar os atos que se seguiram.

    Ao longo do mês de abril de 1964 foram abertos centenas de Inquéritos Policiais Militares (IPMs). Chefiados em sua maioria por coronéis, esses inquéritos tinham o objetivo de apurar atividades consideradas subversivas. Milhares de pessoas foram atingidas em seus direitos: parlamentares tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos suspensos e funcionários públicos civis e militares foram demitidos ou aposentados. Entre os cassados, encontravam-se personagens que ocuparam posições de destaque na vida política nacional, como João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes.



    Entretanto, o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda, da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica.

    O golpe também foi bem recebido pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguiria a mesma trajetória de Cuba.

    Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista".
    Uma idéia fundamental dos golpistas era que a principal ameaça à segurança do país não viria de fora; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam como "inimigos internos" . Essa visão de mundo estava na base da chamada "Doutrina de Segurança Nacional" ensinada nas escolas superiores das Forças Armadas.

    Os militares que assumiram o poder em 1964 acreditavam que o regime democrático que vigorara no Brasil desde o fim da Segunda Guerra Mundial havia se mostrado incapaz de deter a "ameaça comunista". Com o golpe, deu-se início à implantação de um regime político marcado pelo "autoritarismo", isto é, um regime político que privilegiava a autoridade do Estado em relação às liberdades individuais, e o Poder Executivo em detrimento dos poderes Legislativo e Judiciário. 
    Mais do que uma conspiração centralizada e estruturada, existiam "ilhas de conspiração", com grupos unidos ideologicamente pela rejeição da política pré-1964, mas com baixo grau de articulação entre si. O que diferenciava os militares golpistas era a avaliação da profundidade necessária à intervenção militar. O projeto de governo consistia apenas, na necessidade de se fazer uma "limpeza" nas instituições e recuperar a economia.

    De um lado, havia militares que clamavam por medidas mais radicais contra a "subversão" e apoiavam uma permanência dos militares no poder por um longo período. Por outro lado, estavam aqueles que defendiam que após a rápida “limpeza da casa” fosse devolvido o poder aos civis. Os mais radicais aglutinaram-se em torno do General Costa e Silva; os outros, do General Humberto de Alencar Castelo Branco.

    Articulações de um grupo de oficiais pró-Castelo conquistaram o apoio dos principais líderes políticos favoráveis ao golpe. Assim, no dia 15 de abril de 1964, Castelo Branco assumiu o poder prometendo a retomada do crescimento econômico e o retorno do país à "normalidade democrática". Isto, no entanto, só ocorreu em 1985!!

    É por isso que 1964 representa uma novidade na história política do Brasil.  Ao contrário do que ocorreu em outras ocasiões, os militares não apenas deram um golpe de Estado, como permaneceram no poder.


    Governo Castelo Branco

    Na política, o período foi marcado pela centralização do poder a partir do fortalecimento do Executivo Federal que exerceu amplo controle sobre os demais poderes.

    Foram também estabelecidas rígidas restrições ao exercício da oposição política, e eleições indiretas para os cargos de governador e presidente da República. Na área econômica, o governo incentivou os investimentos estrangeiros no país, estímulou as exportações e a ampliação do crédito ao consumidor.

    Os Atos Institucionais

    Nos primeiros anos após o golpe, isto é, durante o mandato presidencial do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967), nem as oposições e nem os grupos políticos que integravam a aliança golpista tinham clareza dos rumos a serem imprimidos à política nacional.

    A expectativa geral era de que a intervenção militar na política fosse breve e que, em pouco tempo, o regime democrático seria restabelecido. Mas isso não ocorreu. Os militares se sucederam no governo e consolidaram sua posição no poder através de atos institucionais, que foram leis promulgadas para sustentar todas as mudanças e medidas políticas colocadas em prática durante o período.

    Ao contrário de outras ditaduras militares que se estabeleceram nesta época na América Latina, a ditadura militar brasileira procurou legitimar-se politicamente por meio de atitudes pseudodemocráticas. O fato  do Congresso Nacional manter-se aberto fez parte da estratégia dos militares de mascararem a feição autoritária do regime.

    Depois de terem retirado do Legislativo os políticos vinculados ao governo Jango, os militares fizeram algumas articulações políticas que possibilitaram que o Congresso Nacional referendasse o nome do marechal Humberto Castello Branco como presidente da República, em 11 de abril de 1964.

    Operação limpeza

    Indicado como presidente da República pela junta militar golpista, o marechal Humberto Castelo Branco era considerado um militar de tendência moderada. Em seu governo, porém, Castelo Branco foi pressionado por radicais a realizar uma série de Inquéritos Policiais Militares (IPMs).

    Os IPMs tiveram por objetivo punir todos os cidadãos que tivessem vínculos políticos com o governo deposto de Jango ou que passaram a fazer parte dos movimentos de oposição ao novo regime. As greves foram proibidas e houve intervenção governamental em praticamente todos os sindicatos trabalhistas.

    Importantes organizações, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e inúmeras outras entidades da sociedade civil, também sofreram intervenção ou foram completamente desarticuladas. Milhares de funcionários públicos, ligados à burocracia militar e civil foram aposentados. Na área política, houve centenas de cassações de mandatos de parlamentares e suspensão dos direitos políticos.

    Medidas repressivas

    É recorrente nos estudos sobre o período inicial da ditadura militar, a interpretação das ações governamentais no campo da política institucional como reações diante da reorganização das oposições políticas. Assim, a vitória de políticos da oposição nas eleições para governador (nos estados de Minas Gerais e Guanabara), em 1965, é apontada como o principal motivo da adoção de novas medidas repressivas por parte do governo.

    Em outubro de 1965, Castello Branco assinou o Ato Institucional nº 2 (AI-2), que ampliou significativamente o poder do Executivo Federal, estabeleceu eleições indiretas para presidente da República e extinguiu todos os partidos políticos. Com essas medidas, tem início o estabelecimento do bipartidarismo, com a criação de duas agremiações políticas: ARENA e MDB. A seguir, com o AI-3, estabeleceu-se a eleição indireta, executada por colégios eleitorais, para os cargos de governador e vice-governador.

    O bipartidarismo

    A Aliança Nacional Renovadora (ARENA) foi o partido da situação, ou seja, integrou políticos que apoiavam o governo e o regime ditatorial. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi o partido que atuou como oposição consentida. A adoção do bipartidarismo foi mais um artifício da ditadura militar brasileira a fim de dotar de feições democráticas o regime autoritário vigente.

    Desse modo, existiu oposição, mas ela atuou dentro dos estritos limites impostos pelo governo dos generais. Ou seja, o tipo de oposição que era praticado pelo MDB não ameaçou o poder dos militares e nem mesmo a manutenção da ditadura.

    Castello Branco também promulgou o AI-4, obrigando o Congresso a discutir e aprovar uma nova Constituição com características autoritárias. No último ano de seu mandato, em 1967, o presidente também promulgou uma nova Lei de Segurança Nacional (LSN). Com o pretexto de defesa da segurança nacional, essa Lei se transformou num poderoso instrumento de controle e vigilância política sobre todos os setores da sociedade civil. Severas punições foram estabelecidas aos transgressores da LSN.

    Diretrizes econômicas

    No governo Castello Branco, o ministro do Planejamento, Roberto Campos, adotou uma política econômica antiinflacionária que causou desemprego e provocou arrocho salarial (diminuição dos salários). De 1964 a 1967, centenas de pequenas empresas decretaram falência. A longo prazo, a política econômica da ditadura militar, colocada parcialmente em prática no início do governo Castello Branco, atendeu aos interesses das classes e grupos sociais que integravam a aliança golpista (burguesia industrial, elites rurais).

    O governo incentivou os investimentos estrangeiros no país, as exportações e a produção interna de bens duráveis (imóveis, automóveis, eletrodomésticos). O mercado consumidor se ampliou, mas só quem se beneficiou do consumo da produção industrial de bens duráveis foram as classes médias e os mais ricos. A concentração de renda impediu que as classes populares se beneficiassem do desenvolvimento e crescimento econômico.

    A sucessão presidencial

    Para suceder Castello Branco, a junta de generais que integravam o Comando Supremo da Revolução, indicou o nome do marechal Costa e Silva. Dentro do Exército, o marechal Costa e Silva era um militar de tendências radicais. Durante o governo de Castello Branco, Costa e Silva pressionou o presidente para que tomasse medidas repressivas mais rígidas contra a oposição e setores sociais que começaram a se reorganizar.

    Castello Branco foi contrario à indicação de
    Costa e Silva  para sucedê-lo. Contudo, não teve condições de conter os setores radicais dentro das forças armadas. No Congresso Nacional, ocorreu mais uma vez a encenação do referendo, elegendo indiretamente Costa e Silva para o cargo de presidente.

    Quadro apresenta principais fatos entre 1964 e 1985


    1964 Em 31 de março um golpe político-militar depõe João Goulart da Presidência da República. O Ato Instiucional nº 1 suspende os direitos políticos de centenas de pessoas. O general Castelo Branco toma posse como presidente.
    1965 Extinguem-se os partidos políticos existentes e institui-se o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio ao governo, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de oposição.
    1966 Suspensas as eleições diretas para cargos executivos. Vários deputados federais são cassados. O Congresso, ao protestar, é posto em recesso por um mês.
    1967 O marechal Costa e Silva toma posse na Presidência da República. Líderes da oposição organizam uma frente ampla contra o governo militar.
    1968 Oposição é reprimida com violência. O Ato Institucional nº 5 marca o endurecimento do regime, agora abertamente ditatorial.
     1969 Costa e Silva é afastado por motivo de saúde. Uma junta dos ministros militares assume provisoriamente o governo. A alta oficialidade das Forças Armadas escolhe o general Garrastazu Médici para presidente.
     1970 A oposição ao regime se torna mais intensa, com guerrilhas na cidade e no campo. Os militares reagem com violência. Nos "porões" da ditadura, passam a ocorrer mortes, desparecimentos e torturas. 
     1971-1973
     A repressão vence a guerrilha. O país experimenta um momento de desenvolvimento econômico que ficou conhecido como "o milagre brasileiro". A economia cresceu, mas em detrimento da preservação ambiental e com o aumento da dependência do petróleo importado e do capital externo.
     1974 O general Ernesto Geisel assume a presidência, enquanto o MDB conquista uma vitória expressiva nas eleições legislativas. 
     1975-1976
     Geisel representa a ala moderada dos militares e tenta promover uma abertura, enfrentando seus próprios pares. O crescimento econômico se mantém mas já há sinais de crise, proveniente sobretudo do aumento do preço petróleo e da dívida externa.
     1977 A sociedade civil passa a reivindicar efetivamente a recuperação dos direitos democráticos. 
     1978 Fim do AI-5. A abertura política progride lentamente. 
     1979 O general João Batista Figueiredo assume a presidência. Aprovada a lei da anistia. Centenas de exilados retornam ao país. O pluripartidarismo é restabelecido. 
     1980 Agrava-se a crise econômica. Aumentam as greves e as manifestações de protesto. O PDS substitui a Arena e o PMDB o MDB. Fundam-se o PDT e o PTB.
     1981  Continuam os conflitos internos entre a ala radical e a ala moderada das forças armadas. Figueiredo tem um infarto e o poder fica nas mãos de um civil, Aureliano Chaves, durante três meses.
     1982-1983
    Eleições diretas para governadores e prefeitos, com vitória da oposição em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O PT obtem seu registro na Justiça Eleitoral. Sem condições de pagar aos credores externos, o Brasil vai ao FMI.
     1984 Uma campanha por eleições diretas para presidente da República agita o país. Emenda à Constituição é votada com esse objetivo, mas não consegue ser aprovada no Congresso. O fim do regime militar é iminente.  
     1985 Indiretamente, o civil e oposionista Tancredo Neves é eleito presidente da República. No entanto, com sua morte anterior à posse, assume seu vice, José Sarney.